WandaVision

Confesso que eu era um daqueles com uma pulga atrás da orelha, sobre a qualidade das séries derivadas do MCU, e sim, mesmo sendo um grande fã do universo gigantesco da Marvel, estava muito receoso com a aparição dos heróis em uma série de um serviço de assinatura. Acreditei que a Disney não iria alcançar a qualidade devido a fatores como investimento, retorno financeiro e duração da obra como um todo. Me enganei, e fico feliz por isso.




Evitarei ao máximo os spoilers, mas não prometo nada, então leia por sua conta e risco.






A série começa muito morna, com uma pegada quase que 100% focada na ideia de que ela é uma sitcom, de certo modo, o começo é desestimulante até. Temos uma trama em preto e branco que sim, lembra muito as antigas sitcoms, mas que em nada favorece o poder de fogo dos personagens, Wanda dona de casa? De certo modo, esse começo é estranhamente tedioso, mas aos poucos a série dá significado a esse começo. Esperamos que a Wanda use magia do caos, que o Visão atravesse paredes e solte raios de energia, mas não vemos nada disso, a presença de características sobre-humanas é sim muito presente, mas apenas no cotidiano dos personagens. Toda essa rotina quase que maçante, acabou criando duas coisas, teorias e expectativas, é quase genial, perceber o quanto a série consegue levar o telespectador em banho maria por diversos episódios, causando curiosidade e entregando pequenas pistas, ao longo que ansiamos por mais e mais. Lá pela metade da série, quando já estamos acostumados com o ritmo, a série nos presenteia com uma mudança gigantesca em seu modos operandi, passamos a ver um pouco mais de ação, tramas começam a se estabelecer, algumas teorias caem por terra enquanto outras tantas nascem, tudo isso gerou uma imensidão de vídeos teóricos e posts acadêmicos nas redes sociais, a série conseguiu o que toda obra clama, o povo estava falando sobre ela. A Disney aprendeu com sua nada pequena lista de filmes, que o publico precisa criar teorias, o publico clama por teorias malucas, cada episódio trouxe novas brechas para teorias. Já quase no fim, a série finalmente revela sua vilã e isso foi feito de um jeito espetacular, no final de um episódio e com uma musiquinha esplêndida, carimbando de vez a presença da vilã e de quebra, criando empatia. Com todas as peças na mesa, em sua reta final, temos aqui um investimento nitidamente maior, não existe a sensação de “economia” de efeitos visuais, o que vemos é algo muito parecido com o que já estávamos acostumados, a qualidade Marvel, e nem me refiro a qualidade em questões de roteiro, mas sim em aspectos técnicos como edição, efeitos, figurino e toda essa enxurrada de categorias que costumamos ver no Oscar. A batalha final é curta, mas muito empolgante, mais uma vez provando que a Feiticeira está em um patamar assombroso de poder. Acho que podemos dizer que a WandaVision é um filme dividido em 8 partes, sendo que ao menos 7 dessas partes, servem apenas para embasar os acontecimentos da oitava parte. A sensação é que a série evolui e amadurece a cada novo episódio e espero de coração que a Marvel mantenha essa fórmula em suas próximas produções para o Disney+.



Além de todos os pontos citados acima, quero destacar uma coisa muito mais pessoal, o fato de que a série foi lançada gradativamente, um episódio por semana. Mesmo parecendo ruim o “esperar” a próxima semana, acredito que está seja a maneira perfeita de distribuir uma série. Em nossa correria do dia a dia, é muito comum disponibilizarmos um dia para colocar as séries em dia, saber que a série foi lançada inteira, acaba dando uma sensação de compromisso, uma vontade de maratonar como costumamos falar, quando a série é lançada semanalmente, isso não acontece. É mais fácil assistir um episódio por semana do que 8 em um dia, mas claro, podemos assistir um episódio por semana, mas sabemos que a curiosidade costuma prevalecer e acabamos gastando mais tempo do que devíamos. Então é isso, seja criativo.


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