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Conhecendo as regras!

Atualizado: 24 de jan. de 2021



Sempre que entramos em um novo mundo criativo, uma de nossas primeiras missões é identificar e conhecer aqueles que já estão naquele mundo, conhecer o que já foi feito, o que deu certo e o que não funcionou. Sempre lembro daquele ditado que diz “nada se cria, tudo se copia”, o quão profundo é este ditado? Ele fala sobre inspiração, sobre usar referências, fala sobre unir coisas e criar algo a partir disso.

Quando falamos em criar enredos, uma das primeiras receitas de bolo que nós é apresentada, é a Jornada do Herói, uma sequência de ocorrências que desde muito tempo, ditam como as boas histórias são contadas. A sequência traz uma boa noção de quais passos devemos tomar em nossa aventura, mas ela é vaga, sem muitos detalhes ou regras do que deve de fato ocorrer ou mesmo como isso vai ocorrer. Analisar e conhecer estas receitas, se torna essencial em dois estágios, o primeiro é ter um facilitador, o segundo é usar a receita de outra maneira, a pessoa que aprende a receita de bolo de chocolate, não terá muita dificuldade em fazer um bolo de laranja. Conhecendo a Jornada do Herói, ou qualquer outra normativa para criação de enredos, podemos manipular cada aspecto de nossas narrativas, pousarmos por mais tempo sobre uns e por menos sobre outros, é interessante perceber que simplesmente focando em um ponto, a narrativa toma todo um novo rumo.

Digamos que você decidiu focar no Passo 2: O chamado à aventura, seu personagem vai passar boa parte do tempo, perdido, sem saber o que exatamente está acontecendo, provavelmente, ele simplesmente será levado por acontecimentos externos a ele, desta forma, podemos expressar o quão perdido é nosso personagem e o quão complexo é encontrar um objetivo de vida. Aqui temos o Vaan, de Final Fantasy XII, um personagem que possui seus sonhos mas acaba sendo levado pela correnteza, ele apenas segue o que está ocorrendo ao seu redor para no final de tudo, finalmente expressar o que realmente deseja, ser um pirata dos céus, perceba o quanto Vaan participa de aventuras e o quanto o enredo gira e progride ao seu redor, durante esse tempo, vemos diversos outros personagens crescendo e amadurecendo, mas Vaan acaba sendo quase que apagado, quando o que ele de fato procurava, era algo bem abaixo de salvar o mundo.


Agora se você focar no passo 8: Provocação, esse passo fala sobre a tentativa de uma grande mudança, e se o personagem se ver preso em suas limitações, impossibilitado de avançar, teríamos aqui um belo debate sobre a dificuldade de progresso e talvez até a demonstração que força de vontade e perseverança, podem não ser o suficiente para sair de certas situações. Com esse exemplo, lembro do filme A procura da felicidade, nele temos um protagonista envolto em problemas, quase desistindo de tudo, mais da metade do filme gira em torno da busca por uma vida melhor, a narrativa é centrada em o mundo provocando o personagem enquanto ele tenta reagir, com criatividade e dedicação, mas com sucesso variado.


Esse tipo de análise sempre ajuda, precisamos primeiro entender qual a sensação de que queremos passar com o enredo que vamos criar, saber o que queremos, é o primeiro passo para entender qual receita seguir, a jornada do herói funciona muito bem para diversas situações, mas será que estamos de fato entendendo que ela tem por objetivo, apenas nós guiar de forma subjetiva ao longo de um caminho nada linear?


Exercitar a mente sempre é um método eficaz de melhorar nossas capacidades, visto que apenas em escrever este texto, já me vejo analisando outros filmes, séries e games, em busca de uma estratégia de enredo que funcione. Basear a busca em um sentimento, é um método que me parece muito sólido. Lembrando que o mundo da escrita possui suas nuances, um enredo, por maior e mais complexo que pareça, quase sempre possui regras, ou melhor, facilitadores, estes auxiliam na conclusão do texto e até mesmo na sua formação lógica, ninguém quer deixar furos de roteiro, não é?


Quando lidamos com a complexidade de nossa mente, muitas vezes nos vemos presos a dificuldade que o “colocar em prática” estabelece, facilitadores não podem ser vistos com maus olhos. Sei que por vezes, o criativo sente um pesar ao tomar emprestado as práticas de outros criativos, mas não sejamos tão imaturos em pensar que a criatividade se baseia apenas em criar algo inédito, muitas vezes o criativo apenas escreve as letras em uma nova ordem, criando uma palavra. Em GoT, temos Tyrion falando algo como “A mente precisa de livros assim como uma espada precisa ser afiada”, levemos isso a todos os nichos de nossa vida, alimentar a mente, ser melhor do que era ontem, estudar aquilo que queremos aprender, muitas vezes uma simples hora de estudo, nós gera muito mais resultado que dias de tentativas.


Enfim, encerrando mais um devaneio, conheça as regras, saiba quais você pode quebrar e quebre sem medo, siga receitas a sua maneira, mas inicialmente, leia a receita, provavelmente quem a criou, foi uma pessoa que teve sucesso em sua área de atuação. Mergulhe no mundo em que deseja mergulhar, não fique fora do lago apenas olhando a superfície, vá até o fundo. O conhecimento é o combustível mais valioso da criatividade.


Seja criativo.


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